05 dezembro, 2006

Conto Envernizado, por Raquel

Era a terceira vez que aquele verniz e aquela unha se encontravam, na mão.
Era um verniz cor-de-rosa, com um aspecto sensual, com alguns meses bem vividos nas montras do Shopping. E era uma unha bem limada, delicada, suave, nada habituada a truques de maquilhagem.
O verniz era muito sabido e cliente habitual de filmes de batom vermelho. O verniz gostou desta situação: os dois sozinhos, na mão, num lugar sem nenhuma outra unha ver e sem nenhum verniz ouvir. E sem querer perder essa unha, o verniz deslizou sobre ela. Só a acetona poderia ameaçar aquela aliança.

Raquel

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