30 novembro, 2006

«Parabéns, Caloira!» de Anabela Mimoso por Beatriz Queirós



FICHA DE LEITURA
«Parabéns, Caloira!» de Anabela Mimoso



SINOPSE

Esta história baseia-se na vida de uma adolescente chamada Patrícia.Patrícia é uma caloira que quer entrar na Universidade, para tirar o curso de Medicina, mas a sua vida não se resume simplesmente a isso…
Patrícia está apaixonada por Alex, um rapaz negro angolano, que veio para Portugal com o objectivo de conseguir subir na vida e tirar um curso, para depois voltar a Angola e ajudar a sua família a ter uma vida melhor. Os pais de Patrícia estão separados, embora ainda estejam ambos apaixonados um pelo outro. Ela vive com a mãe e tem um irmão mimado. que vive com o pai, e que segundo Patrícia é insuportável. Matilde, que é a sua melhor amiga desde sempre, é bestial, embora não seja popular. Matilde é um pouco infeliz, por não receber afecto dos pais, que só pensam no seu trabalho e, praticamente, a obrigam a seguir Medicina. Pedro e Rosana, prima de Alex, são os outros amigos de Patrícia.
É assim a vida da Patrícia: pensar no Alex, estudar, estar com Matilde, estar com Rosana, estar com a família, …
A história de vida de uma caloira. Uma história que começa pelo fim.

OPINIÃO: Sinceramente, achei a obra um pouco confusa, pois começa pelo fim, mas gostei! Está bem engraçada!

Autor: Anabela Mimoso Edição n.º: 1 Editora: AMBAR Local: Porto Data de publicação: Abril de 2003 Classificação: Romance


Informações sobre a autora:

Nasceu em Lisboa, mas vive em Vila Nova de Gaia, onde é professora.
O seu primeiro livro foi publicado aos 16 anos, e desde aí tem escrito para os mais novos.

27 novembro, 2006

Acta de Assembleia de turma (balanço)

Aos vinte e sete dias do mês de Novembro Outubro do ano de 2006, pelas treze horas e cinquenta minutos horas, a presente assembleia de turma reuniu-se, sob a presidência da delegada, Beatriz Queirós, com a seguinte ordem de trabalhos
Ponto um: Ponto de situação do ano lectivo;
Ponto dois: Comportamento da turma;

Ponto três: Aproveitamento;
Ponto quatro: Assiduidade.
Ponto cinco: Outros assuntos.
Na presença de todos os alunos da turma, e na presença da Directora de Turma, deu-se início à reunião. No que diz respeito ao ponto um, a assembleia notou que os professores estão empenhados em ajudar os alunos, no entanto alguns alunos nem sempre mostram empenho, responsabilidade e interesse. Quanto ao segundo ponto, a delegada considerou que o comportamento não é muito mau, apesar de alguns alunos se distraírem com muita facilidade, o que não permite que as aulas corram como podiam correr. No que respeita ao aproveitamento, este foi considerado fraco, pois, até agora nenhum aluno obteve nível positivo a todas as disciplinas. Já no que concerne à assiduidade, a turma, ultimamente, tem sido mais assídua.A turma sugeriu que se organizasse uma visita de estudo ao Oceanário como forma de motivação, para tal os alunos irão fazer uma estimativa dos custos.E nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a sessão, da qual se lavrou a presente acta, que depois de lida e aprovada vai ser assinada.
(Esta máquina registadora foi retirada do blog da Francisca.

homenagem a Mário Cesariny pelos alunos do 7ºE


homenagem a cesário verde

Aos pés do burro que olhava para o mar
depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um último cigarro
um feijão branco em sangue e rolas cozidas

Pouco depois cada qual procurou
com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Cesário Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!

Mário Cesariny

HOMENAGEM A MÁRIO CESARINY

Nas mãos do cabalista que observava o oceano
depois da bolota comeu-se a sardinheira
com a sardinheira muita goiabeira
e depois do pudvém, para um último cigerão
cinco feijões-caritos brancos em molho e rolas-do-mar cozidas

Muito depois cada qual procurou
com ambos a rua que convinha.
Chegou o dia e foram todos para o casabeque ler Mário Cesariny
que ainda há passeios ainda há poetaços cá na paisagem!

Os alunos do 7ºE
(este poema foi elaborado seguindo uma receita muito complexa, que implica algum domínio sobre a TLEBS e um domínio perfeito do dicionário)

24 novembro, 2006

Para a Carla


Era uma vez uma menina chamada Alice que odiava o escuro. Ela não podia estar no escuro porque se lembrava da mãe que já tinha morrido. O escuro para ela era a própria morte. Nesta imagem, ela parece estar mesmo muito mal, porque até está a arranhar as paredes à procura de um interruptor. Ela sabe que a vida é luz e que não vale a pena sofrer: não é por isso que a mãe dela vai ressuscitar.
Fiz este texto a pensar na Carla que perdeu a mãe esta semana. Ela está triste, é uma dor que nunca vai passar, mas a vida continua e espero que ela volte a sorrir. Carla, nós estamos contigo. Um beijo grande.
Xana

Alice

Era uma vez uma menina chamada Alice. Ela gostava muito de muitas aventuras e houve um dia em que caiu numa armadilha... Ela caiu nessa armadilha, porque estava tão divertida a brincar que nem deu conta do precipício. Quando acordou viu um coelho branquinho como a neve, ele assustou-se com ela e desatou a correr. Alice foi atrás dele, mas ele cada vez corria mais depressa. Foi então que ela entrou numa porta e viu uma mesa com bolachas:não resistiu e pum…ficou do tamanho de um insecto. Começou a chorar, a chorar quas inundou o edíficio só com as suas lágrimas! Andou, andou e mesmo em frente dela estava uma garrafa de sumo e, Alice, sem esperar um bocado sequer, bebeu tudo. Ficou muito contente porque ficou outra vez do tamanho normal. Saiu daquele sitio e foi-se embora. À saída, viu um placard a dizer “País das Maravilhas”. Correu para casa. No caminho para casa encontrou de novo o coelho branco, mas não ligou e, em vez disso, apanhou umas flores muito giras para a sua mãe.
Raquel

Amor do outro lado da moldura

Alice é muito simpática e divertida, gosta muito de ler os seus livros em cima de árvores é uma menina sonhadora, adorava mesmo a sua gata chamada “Gérafina”. Sonhava que estava numa floresta encantada em que as flores cantavam e dançavam para ela, enquanto ia a passear pela floresta Alice encontrou dois gémeos que eram muito brincalhões e o tempo que ela esteve com eles riu-se as gargalhadas, esquecendo-se dos seus problemas. No caminho que percorria para casa, encontrou um gato mágico que desaparecia e aparecia num abrir e piscar de olhos, ela ficou muito espantada ao ver aquilo… Entretanto perguntou ao gato se tinha visto o coelho branco… E ele respondeu que sim, mas indicou-lhe o caminho errado. Alice acreditou no gato, mas não devia porque ele era um gato mágico, muito sábio e mentiroso. Enquanto ia pelo caminho que ele lhe disse... caiu de repente num buraco escuro e muito fundo, esse buraco ia dar ao castelo da rainha de Copas que era uma “ Carta muito maldosa”. Alice olhou em seu redor e viu montes de cartas vermelhas que eram os guardas da rainha de copas, os guardas agarraram Alice e meteram-na num quadro dourado ficou lá muito tempo fechada., mas um belo menino chamado “ Eric ” que a salvou da terrível rainha de Copas. Alice encontrou o amor.
Andreia e Soraia

A sombra de Alice


Era uma vez uma menina que era muito bonita que se chama Alice. Ela tem cabelos compridos e está de saia, com as mãos para trás. Ela está a parada porque está a pensar no seu futuro, pois recebeu uma oferta para fazer um espectáculo de dança. A Alice tem a amiga especial que é a sombra dela ela, mas ela não fala com a sombra quando aparecem outras pessoas, pois tem vergonha e medo que as pessoas não acreditem e a gozem.
Sandra Cabral

Alice atrás das cortinas


A Alice era uma menina que gostava muito de brincar às escondidinhas, e logo de manhã, quando acordava, gostava de se esconder para que ninguém a descobrisse.O sítio predilecto eram as cortinas de organza do quarto dela. Isto fazia com que os criados andassem todos atrás dela muito preocupada. Como ela era muito rica passava o dia todo a brincar, e os criados dela também tinham que brincar, caso contrário eram despedidos e como não queriam ser despedidos, porque precisavam do trabalho para sustentar a sua própria família, eles faziam o que a Alice mandava. Ela gostava muito de se vestir com vestidos de folhos e com um avental azul, para copiar os criados e para poder passar no meio deles sem eles se aperceberem. Mas, a verdade é que no fundo, os criados também gostavam de brincar com a Alice porque ela era uma rapariga muito querida!!!


Débora, Marisa e Carlos
(este trabalho inspirou-se numa imagem do intruso)

23 novembro, 2006

“O Céu do limpa-vias é a rua que os outros pisam”

Senhora do Supermercado, Duane Hanson, 1969

Esta escultura evidencia uma realidade diferente da vida do limpa-vias e da sua família. Na aula estivemos a imaginar o valor do carrinho de supermercado da senhora e imaginamos a quantidade de coisas que ela leva e que não precisa. Concluímos que ela não deve ter dificuldades económicas, mas que isso não quer dizer que não tenha um baixo nível sociocultural. Na aula, não tivemos tempo de reflectir sobre esta questão:
De que modo esta escultura pode (ou não) contrastar com a frase final do conto Arroz do Céu?

Multidão

Multidão, Magdalena Abakanowicz (1986/1987)

Em Língua Portuguesa, e ainda a propósito de Arroz do Céu, estivemos a observar estas esculturas.
Por que será que elas não têm cabeça?
Foram lançadas para a mesa várias hipóteses: uns acharam que as pessoas eram muito feias e por isso a artista preferiu não esculpir as cabeças; outros disseram que era para mostar que somos todos iguais; outros consideraram que era para mostar que eram pessoas irresponsáveis (sem cabeça).
No entanto, e como se pretendia relacionar esta obra de arte com o Arroz do Céu, concluímos que as cabeças não foram esculpidas para lhes retirar importância, estas pessoas representadas são vistas como uma massa de gente toda igual, que apenas serve para o trabalho braçal.

Arroz do Céu: a oração do Limpa-vias


"O limpa-vias nunca perguntou donde é que chovia tanto grão, sobretudo no bom tempo, pelo Verão, e aos domingos, que até parecia uma colheita regular. Embrulhava-o num jornal ou metia-o num cartucho, e assim o levava à família. (…)E foi assim que aquela chuva benéfica, de arroz polido, carolino, de primeira, acabou por lhe dar a noção concreta de uma Providência. O arroz vinha do Céu, como a chuva, a neve, o sol e o raio. Deus, no Alto, pensava no limpa-vias, tão pobre e calado, e mandava-lhe aquele maná para encher a barriga aos filhos. (…) E começou a rezar-lhe fervorosamente, à noite, o que nunca fizera: ao lado da mulher. Arroz do Céu... “ (José Rodrigues Miguéis)

Algumas possíveis orações do limpa-vias...

Arroz nosso que cais do respiradouro,
abençoado seja o vosso paladar,
venha a nós o vosso arroz
e que seja cozinhado à nossa moda,
assim no subway como no Alto.
O arroz nosso de cada dia nos dai sempre.
Perdoai-nos os nossos estrugidos,
assim como nós perdoamos a quem nos paga mal
e não deixes de mandar arroz agulha,
mas livra-nos do trinca.
Raquel

Arroz nosso que cais do céu,
certificado seja o teu sabor,
fazemos nós o teu tempero
com cebola, alho e azeite,
mas arroz com arroz é pouco,
vê se me mandas
bacalhau, massa e frango,
porque de tanto arroz já estamos enjoados.
Miúdos eu tenho para criar
e só de arroz não os posso alimentar.
Beatriz, Rute e Xana

Arroz que estais no céu,
Saboroso seja sempre o vosso tempero.
Continua a vir a nós todos os dias,
mas vê lá se começas a enviar mais coisas.
Queremos batatas, massa e bacalhau.
Seja feita a nossa vontade,
aqui no Subway como no Uptown.
Livra-nos do bicho do arroz e da humidade,
Venha ao nosso estomâgo mais variedade.
Ivo, Carlos e Rúben

Arroz nosso que estais no Céu, agradeço a chuva de arroz que me mandas todos os dias. Sem ti passavamos fome. Obrigado pelo alimento que nos envias. Os meus dias têm sido melhores desde que comecei a chegar a casa com os bolsos cheios dessas pérolas maravilhosas a que alguns chamam arroz.
Débora, Andreia e Soraia.

Pai nosso, obrigado pelo que nos tens dado todos os dias. A tua ajuda tem servido para alimentar a minha família. Sem ela não conseguiriamos sobreviver. Tu és para nós uma caixinha de surpresas, por isso agradecemos-te por tudo o que nos tens dado. Eu queria fazer -te um pedido muito importante, podes transformar a chuva em leite e a neve em pão? Que achas?
Obrigada pela compreensão.
Sara e Sandra

Arroz que vindes do céu, quero-vos agradecer porque me estais a ajudar imenso. Nosso grande pai desconhecido, queremos que nos ajudes sempre, porque o arroz que vós mandais está a tirar-nos a fome. Muito obrigado
Marisa e Sandra

22 novembro, 2006

Lisboetas

Lisboetas

A propósito de Arroz do Céu, um conto de José Rodrigues Miguéis, que estamos a estudar em Língua Portuguesa, parece-me oportuno observar o trailler deste documentário. Lisboetas é um documentário político sobre a vaga de imigração que nos últimos anos mudou Portugal. Em baixo, algumas das situações que podemos observar no trailler.

SERVIÇO DE ESTRANGEIROS E FRONTEIRAS
É o local por onde todos os estrangeiros têm de passar para se poderem legalizar.
– O senhor fala português, sim ou não??
– O que é que esteve a fazer tanto tempo na Ucrânia?

CAMPO GRANDE – MERCADO DE TRABALHO
Todas as manhãs os empreiteiros da construção civil procuram mão de obra barata para as necessidades do dia ou do mês…
– Quanto paga, mais ou menos?– Não sei. Primeiro ver, depois pagar. Precisa ver e depois dizer : tu mereces tanto. Quer, quer… Não quer...

AULA DE PORTUGUÊS NA IGREJA UCRANIANA
Nas aulas aprendem-se a conjugar verbos com utilidade prática:
– Eu fui aldrabado; tu foste aldrabado, ele foi aldrabado…

MÉDICOS DO MUNDO
Uma carrinha circula todas as noites por Lisboa para prestar apoio médico aos sem abrigo. Grande parte são ucranianos.– Profissão?– Piloto de aviões.

CARTAS ÀS RÁDIOS E JORNAIS
Jornais e rádios de várias comunidades estrangeiras em Lisboa recebem diariamente cartas dos leitores.– No banco disseram-me que como estrangeira não posso ter livro de cheques. A verdade é que gostam do nosso dinheiro, mas de nós, não!

TELEFONEMAS
Ligar para casa é quase um ritual para todos os imigrantes.
– A escola?... Bem, aqui em Portugal há muita coisa boa... Eu estou na praia, faz sol, o mar é óptimo. Tenho trabalho… Mas a escola aqui é mesmo um problema. Muito fraca.

19 novembro, 2006

Carta de Plutão


Plutão, 17 de Novembro de 2006 anos terrestres

Querida Terra,

Espero que esteja tudo bem pelos teus mares e oceanos, infelizmente, comigo nem tudo corre de feição.
Sabes que a minha existência, como planeta principal, nunca foi pacífica. O facto de eu ser pequeno (seis vezes mais pequeno do que tu, melhor dizendo: mais pequeno do que a Lua!), muito gelado e com uma finíssima camada atmosférica de metano gasoso, fez com que a União Astronómica Internacional me despromovesse da categoria de planeta principal.
A descoberta de novos corpos celestes nas regiões exteriores do sistema solar veio pôr em causa o conceito de planeta e, daí a eu passar a ser um simples planeta anão, foi um passo. Sinceramente, espero que nunca passes pelo mesmo: sinto-me só, humilhado e envergonhado. És o primeiro planeta a quem escrevo desde que isto aconteceu (Agosto, confio que não me rejeitarás por ser diferente, afinal tu tens vida inteligente. Sou agora um planeta anão. Sinto-me como uma equipa de futebol despromovida. Sabes que mais? Sou o Gil Vicente do Sistema Solar! A minha existência na “1ª divisão” foi breve (comecei em 1930), agora necessito de repensar a minha carreira e de começar a fazer amizade com Ceres e Éris.
Posto isto, desejo que não me esqueçam e que me continuem a convidar para as festas interplanetárias. Uma vida nova começou para mim, consola-me o facto de pelo menos agora falarem de mim. Ando na boca das estrelas...
Fica bem querida Terra e dá os meus cumprimentos celestiais à Lua,

O teu sempre respeitador Plutão, planeta Anão

Dois em um...


14 novembro, 2006

Descobre as diferenças

Antes de ler o conto "Arroz do Céu" de José Rodrigues Miguéis, vamos olhar com olhos de ver para este dois quadros. O primeiro quadro é de Domingos Rebelo e o segundo de Tomás Vieira.



Os emigrantes de Domingos Rebelo, 1926
Os regressantes de Tomaz Vieira, 1987

13 novembro, 2006

Quem lê por gosto...


Na aula de Formação Cívica, foram lidos excertos de livros e alguns encontraram "leitores".

(Sandra C.), Capitães de Abril,José Jorge Letria
(Rúben), Campos de Lágrimas, José Jorge Letria
(Ivo),Operação Marmelada, Manuela Ribeiro
(Rute), Uma aventura no tempo dos Castelos, Alexandre Honrado
(Xana), Uma argola no umbigo, Alexandre Honrado
(Beatriz),Parabéns, Caloira!, Anabela Mimoso
(Débora), Uma chuvada na careca, de Alexandre honrado
(Carlos), Pequeno Livro da Desmatemática, Manuel António Pina
(Sara e Marisa), Memórias da adolescência, Dulce Bouça


Está na altura de desligar a televisão por alguns momentos. Bons livros, boas leituras.
Imagem retirada do site intruso.

07 novembro, 2006

Contrato de Leitura


Na passada segunda feira, os alunos da turma E do 7º ano celebraram um contrato de leitura com a professora de Língua Portuguesa, Estudo Acompanhado e Formação Cívica. Após alguma discussão sobre o assunto, dado que alguns elementos não entendiam a pertinência do contrato (uns porque sabem que ler vale a pena e dispensa "contratos" professor/aluno, outros porque acham que não gostam de ler), a turma, em assembleia, resolveu acordar a leitura de quatro livros durante o ano. Este número fica bastante aquém do pretendido pela professora, que gostava de pelo menos dez livros lidos! A Beatriz Ribeiro, delegada de turma, partilhou com os colegas um dos seus livros favoritos, Harry Potter e o Príncipe Misterioso de JK Rowling, concluindo que se a Bia devora livros de 600 páginas, os outros também podem fazê-lo!A imagem aqui em cima foi retirada do blog intruso e, a meu ver, pode significar a entrada de cada um de nós no universo dos livros. Reza assim o Contrato de Leitura efectuado:

CONTRATO DE LEITURA

entre:
I – _Paula Cristina Oliveira da Cruz, professora da disciplina de Língua Portuguesa, Estudo Acompanhado e Formação Cívica da turma E do 7º ano, como primeiro outorgante, e II – (XXXXXXXXXXXX), aluno(a) da disciplina de Língua Portuguesa, Estudo Acompanhado e Formação Cívica da turma E do 7.º ano, como segundo outorgante, é celebrado o presente contrato a reger nos termos das cláusulas seguintes:
PRIMEIRA O segundo outorgante compromete-se a: a ) ler quatro livros durante o ano, sendo que obrigatoriamente um livro tem de ser lido durante o primeiro período.; b ) preencher uma ficha de leitura dos livros lidos, a incluir no dossier de turma e/ou no blogue; e ) apresentar oralmente o livro à turma, por iniciativa própria ou quando solicitado; f ) promover e/ou participar em debates suscitados pelas leituras feitas pelo próprio ou pelos colegas da turma.
SEGUNDA O primeiro outorgante compromete-se a: a ) fornecer, se solicitado, ao segundo outorgante uma lista de obras, onde este poderá fazer as suas escolhas; b ) orientar as leituras, quando solicitado; c ) orientar a produção escrita nas fases de planificação, textualização e revisão de texto das fichas de leitura;
d ) fornecer instrumentos que possibilitem a organização da informação; e ) programar a apresentação dos livros lidos e outras actividades decorrentes do cumprimento do contrato; f ) atribuir uma percentagem da avaliação total ao cumprimento do contrato; g ) avaliar as diferentes actividades envolvidas no cumprimento do contrato.
TERCEIRA O incumprimento por parte do primeiro outorgante determina que: a ) o segundo outorgante fique desvinculado do cumprimento do contrato; b ) a percentagem da avaliação atribuída ao cumprimento do contrato seja redistribuída por todos os elementos de avaliação.
QUARTA O incumprimento por parte do segundo outorgante determina que: a ) à percentagem da avaliação atribuída ao cumprimento do contrato seja atribuída a classificação zero. O presente contrato é aceite por ambos os outorgantes nos precisos termos aqui exarados e por todos vai ser assinado por o acharem conforme. Tendo sido feito em duplicado, cada outorgante ficará na posse de um exemplar.
Escola EB2,3 do Cerco do Porto, 5 de Novembro de 2006
O primeiro outorgante
XXXXXXXXXXX
O segundo outorgante
Paula Cruz

04 novembro, 2006

Eu chamo-me...



JOÃO
Eu chamo-me João, tenho 75 anos e vivo em Albufeira, embora tenha nascido em Viseu. Estou sentado na minha cadeira preferida, que fui eu que comprei há uns largos anos atrás. Como podem reparar, estou com um ar abatido, pois descobri que estou muito doente. Eu pensava que não era nada de grave, mas no outro dia fui ao médico e descobri que tenho um cancro no sangue, ou seja, leucemia. Para continuar vivo terei de fazer um transplante de medula óssea, mas até agora a única pessoa que encontrei com uma
medula compatível à minha, não aceitou doá-la.Encontro-me agora em lista de espera. Sinceramente, não sei se vou conseguir aguentar isto, pois sou bastante idoso e não tenho forças suficientes para ultrapassar este problema. Ainda para mais porque estou sozinho, já que sou viúvo há nove anos e os meus filhos, simplesmente, não querem saber de mim. Vou tentar superar isto, por mais que saiba que vai ser muito difícil, mas eu tenho de lutar. Só espero conseguir encontrar uma medula compatível à minha, para recomeçar a minha vida do zero.

BEATRIZ E XANA

JORGE
Eu chamo-me Jorge Sampaio. Já fui empregado da Câmara Municipal do Porto, mas os tempos foram mudando e eu fui subindo de posto. Entretanto, cheguei a Presidente da República. Casei e tive dois filhos: a Carla e o Tiago. Eles cresceram e juntos nós dávamos muitos passeios. Eu dava-lhes tudo o que eles queriam, mas como agora estou desempregado e sem dinheiro, os meus filhos já não me passam “cartão” nenhum. Eu até lhes escrevo algumas cartas de vez em quando (quando tenho dinheiro para os selos), mas eles não respondem. Durante muitos anos, depois de ser Presidente, andei a vender carteiras de senhora na feira, mas eles tinham vergonha. Era um trabalho honesto, eu nãovendia carteiras falsificadas! Era bom material. Infelizmente, a idade não perdoa e agora não tenho saúde para andar de feira em feira. Estou aquisentado a pensar no que vou fazer da minha vida, de que forma convenço os meus filhos a voltarem a dar-me atenção.

CARLA


RUI GONÇALVES

Olá, eu chamo-me Rui Gonçalves e tenho 56 anos. Sou presidente da empresa COLIDE. Hoje vai haver uma assembleia para decidir quem vai ficar com o meu lugar de director geral. Há cinco candidatos, o Cavaco Silva, o António Morais, o Francisco Gomes, a Filipa Martins de Mello e a Margarida Salgado. E eu, para ganhar terreno, resolvi marcar uma reunião com os sócios da COLIDE para dizer que vou fazer tudo para que ninguém fique com o meu lugar e para isso acontecer é preciso que eles votem. Quando há estas reuniões, a minha querida Esmeralda diz sempre para eu mesentar nesta cadeira, porque quando as pessoas estão ansiosas esta cadeirafaz “magia”: dá sorte. Eu acredito, porque nas outras vezes, quando havia reuniões, eu sentava-me nesta cadeira e aconteciam coisas espectaculares. Nessas reuniões, eu estava cheio de sorte e foi assim que eu continuei a ser o director geral. Hoje espero que me dê sorte, mas não sei… sinto que vou perder. Vou ficar muito triste e zangado.

SANDRA CABRAL


SAMPAIO
Eu chamo-me Sampaio e fui Presidente da República, agora já não sou porque perdi o cargo porque só prometia e nunca cumpria com as minhas palavras. Agora estou a pensar numa maneira de conseguir conquistar tudo o que perdi, vai ser muito difícil convencer o povo todo aceitar as minhas ordens porque já quase ninguém acredita em mim. Eu gostava de ser Presidente porque tudo o que tenha a ver com política é comigo. Se não conseguir ser Presidente da República , espero ao menos ser presidente da
Câmara de Lisboa.
MARISA E CARLOS


JORGE
Eu chamo-me
Jorge Sampaio e já fui Presidente da República. Neste momento estou desempregado porque tenho 63 anos e já ultrapassei a idade para estar na Presidência. Gostava muito da minha carreira, mas a vida é assim. Às vezes passo pelo gabinete para fazer uma visita aos meus grandes amigos e para matar as saudades. O meu dia a dia é muito complicado, todos os dias leio o jornal para procurar emprego, mas está muito difícil. Já fui muitas vezes a entrevistas mas tenho tido azar, a minha esposa é que trabalha para pagar as despesas da casa. Ela é dona de um cabeleireiro mas a situação está muito má, ela vai ter de vender porque trabalhar por conta própria é muito complicado. Eu tenho um filho chamado Francisco que já é casado e tem a sua própria casinha. Ás vezes ele vem visitar-nos para saber se esta tudo bem connosco.

SORAIA, SANDRA SILVA E ANDREIA


MANUEL ANTÓNIO
Eu chamo-me Manuel António, tenho 65 anos,vivo em Lisboa e sou pintor.Este sou eu sentado no meu cadeirão amarelo com pêlo branco que é muito fofinho.Este quadro foi pintado por mim.Atrás de mim está uma cortina verde que me foi oferecida pela minha filha aria. Na mesinha está uma nazarena de porcelana que trouxe de uma vez que fui a Fátima com a minha família.No chão está uma carpete branca, dourada e azul que são as minhas cores preferidas. Se repararem as paredes também são douradas. Naquele dia estava a olhar para a janela, porque estava um dia de chuva. São os meus dias de sorte. Neste dia, descobri que eu ia ser avô, fiquei tão contente!

SARA


JOSUÉ
Eu chamo-me Josué e sou de Lisboa este e o quadro que eu pedi a minha amiga Paula Rego para me desenhar para que eu ficasse com uma recordação de quandofui Presidente da República. Belas viagens que eu fiz (nem me quero lembrar disso, senão fico já comovido). Bem, agora como não trabalho, “curto” a vida: passeio com os meus netos e bisnetos. Pelo menos já não aturo os meus filhos, porque já são crescidos.

RÚBEN



SAMPAIO
Chamo-me Sampaio tenho 59 anos e moro na rua D.
Afonso Henriques. Já fui presidente, mas agora já não sou porque me reformei há 4 anos. Como agora não trabalho, aproveito a vida para fazer coisas de que gosto, por exemplo: gosto de ir ao cinema, dar passeios, estar com os meus netos e a minha família. Agora, estou a morar só com a minha esposa, que se chama Margarida, mas até há pouco tempo morava um filho nosso, connosco.Há um mês, fizemos uma viagem a Nova Iorque, ao sítio, onde caíram as torres gémeas, estávamos muito curiosos para ir lá outra vez, sim, porque desde que as torres gémeas caíram até hoje não tínhamos ido lá. Gostámos muito e a Margarida aproveitou para fazer umas compras. Comprou imensas coisas para ela e para mim só esta gravata de seda. Ela não faz por mal, mas sempre que vê uma loja que goste ela não resiste e vai fazer compras para ela e só às vezes para mim. Muitas vezes eu vou com ela, mas só quando não tenho nada para fazer, pois não gosto muito de ir. Não é pela Margarida, é porque acho que é uma coisa para mulheres e não para mim. Pois é assim a vida que eu gosto de ter. Fiquem bem.

IVO


MANUEL
Eu chamo-me Manuel. Estou reformado. Quando trabalhava era advogado. Gostava muito do que fazia, mas agora apetece-me descansar. Quero ver os meus netos a crescer. Vivo num apartamento em Lisboa, e desde que a minha mulher morreu nunca mais saí de lá. Fiquei muito chocado quando ela morreu, mas pelo menos deixou-me uma filha chamada Raquel, que tem 19 anos. A minha falecida mulher chamava-se Marisa, tinha 39 anos, quando faleceu. A Raquel, a princípio não sabia de nada, era difícil contar-lhe, mas teve mesmo que ser. Contei-lhe, mas ela não aguentou e começou logo a chorar. Ficou triste durante muito tempo,deixei-a faltar às aulas porque ela não aguentava. A boneca de vidro que está à minha beira, fui eu que lha ofereci no seu aniversário. Nunca vou deixar esta boneca: é uma recordação da Marisa. Estou sentado nesta cadeira para reflectir, por que é que ela morreu, sinto a falta dela: foi a minha única mulher, o meu único amor. Logo no primeiro dia que a vi apaixonei-me. Casámos, tivemos uma filha e estivemos juntos muitos anos. Adorei osmomentos que passei com ela. Agora tenho que seguir em frente, eu e a minhafilha Raquel. Nós, os dois, somos agora uma família, mas o que queríamos era a Marisa: ela era tudo para nós.
RAQUEL


FERNADO MIGUEL
Eu chamo-me Fernando Miguel, e tenho 79 anos neste momento moro no Porto, apesar de ter nascido em Lisboa, vim de lá há uns meses. Estou sentado na minha cadeira de pele favorita, comprei-a no ano passado, por isso estáneste momento no meu escritório, pois tenho tido muito trabalho. Tenhoandado um bocado em baixo pois este trabalho não é um trabalho qualquer é preciso ser-se jovem, que é coisa que não sou.Sou presidente, um presidente muito conhecido, aqui estou mais pronto do que nunca para outra assembleia e ainda há 20 minutos atrás tive uma reunião. Isto torna-se muito cansativo pois já não caminho para novo. Tenho pensado muito neste assunto e decidi que quero a reforma.Como podemos ver este homem (Fernando Miguel) está sentado numa cadeira depele, de pés cruzados e de fato preto com gravata vermelha às riscas brancase sapatos pretos à espera da sua reforma. Atrás de si está uma mesa com umatoalha vermelha e uma boneca verde e vermelha. Os cortinados do escritóriosão verdes e a carpete é bege com riscas amarelas e azuis.
RUTE

01 novembro, 2006

A princesa de braços cruzados


Na segunda-feira, na aula de Formação Cívica, estivemos a reflectir sobre este conto de Adília Lopes.

A princesa de braços cruzados

— Não quero trabalhar, nem estudar, o que eu quero e namorar. — disse a princesa e cruzou os braços.
Dormia de braços cruzados e tinham de lhe dar de comer porque a princesa só podia abrir os braços para abraçar o namorado e não havia nenhum namorado para ela.
Quando se acabou o dinheiro, acabaram-se as criadas e acabou-se a comida. A princesa morreu de fome, muito suja, mas sempre de braços cruzados. E nem os cangalheiros nem os médicos legistas lhe conseguiram descruzar os braços porque nem os cangalheiros nem os médicos legistas eram o namorado da princesa de braços cruzados porque não havia nenhum namorado para ela. Foi conservada em formol dentro de um frasco de vidro transparente para ser mostrada aos visitantes do Museu de Historia Natural. Na placa que dá informações sobre o conteúdo do frasco está escrito em latim: “só descruzará os braços quando lhe aparecer um namorado”. Todos no Museu têm a esperança de que um dia um visitante saiba latim e seja o namorado da princesa de braços cruzados. Mas a empregada do balcão do bar do Museu, menos positivista do que o resto do pessoal, resolveu fazer o mesmo que a princesa dos braços cruzados. Por isso não há bicas para ninguém.

Adília Lopes in A bela Acordada

Nota: Imagem retira daqui.



Trick or Treat?

What do you call someone who puts poison in a person's cornflakes?
What do you call a witch who lives on the beach?